InspirAÇÕES: servidora tem pesquisa premiada por ampliar olhar sobre proteção às mulheres
1º lugar em prêmio nacional do CNJ.
Gisele Porto Barros é servidora do Tribunal de Justiça de São Paulo e vencedora da categoria Produção Acadêmica da 6ª edição do Prêmio Juíza Viviane do Amaral de Proteção às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica e Familiar, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Desde que entrou no Tribunal, em 2008, sua trajetória profissional e acadêmica se entrelaça frequentemente. No TJSP, onde começou como escrevente e hoje ocupa o cargo de assistente jurídico, passou por Câmaras de Direito Criminal e atualmente atua no Direito Público. Na universidade, aprofundou os estudos em Direito Criminal, com mestrado na área, e em questões sociais e direitos das mulheres, percurso que culminou na tese vencedora “Interseccionalidade e Indicadores: uma análise da isonomia jurídica de políticas públicas para prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar contra as mulheres”, resultado da pesquisa de doutorado defendida em maio na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Gisele avaliou como as políticas públicas alcançam mulheres de diferentes realidades sociais, propondo indicadores jurídicos voltados à análise da efetividade de três iniciativas: a Casa da Mulher Brasileira, o programa Guardiã Maria da Penha e o projeto Somos Marias (vencedor da primeira edição do Prêmio #Rompa). "Essa junção dos meus dois mundos profissionais convergiu para uma pergunta central, que norteou meu doutorado: como garantir que políticas públicas destinadas às mulheres sejam efetivas para todas elas, considerando diferenças de raça, renda, território, idade ou condição social."
A servidora explica que encontrou no conceito de interseccionalidade uma ferramenta importante para compreender as múltiplas formas de vulnerabilidade que podem afetar mulheres em situação de violência. "A pesquisa buscou transformar esse olhar em instrumento concreto de avaliação, capaz de contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas e para a promoção de uma proteção mais adequada às diversas experiências femininas", afirma.
Para Gisele, o prêmio representa também a possibilidade de ver o conhecimento produzido na universidade alcançar outros espaços e contribuir para mudanças concretas. "Pesquisas acadêmicas têm potencial para contribuir diretamente com a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, especialmente em áreas que exigem respostas cada vez mais qualificadas do poder público e das instituições", celebra.
Ao destacar estudos voltados ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher, o prêmio do CNJ também reforça a importância da produção de conhecimento como instrumento de transformação social. A trajetória de Gisele demonstra como a pesquisa pode ultrapassar os limites da universidade e contribuir para a construção de respostas mais efetivas aos desafios cotidianos, além de caminhar lado a lado com a atuação no Tribunal.
InspirAÇÕES – Publicada no início de cada mês, a coluna traz histórias de vida, habilidades e curiosidades sobre servidores e magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo. Desde sua criação, em 2021, dezenas de pessoas já contaram suas vitórias em diferentes situações e atividades que trazem inspirAÇÕES.
Comunicação Social TJSP – BB (texto) / MS (arte)
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