Projeto Somos Marias leva rede de proteção a mulheres em situação de rua

Ação de enfrentamento à violência doméstica. 

 

O Projeto Somos Marias, idealizado pela juíza da 2ª Vara Criminal de Praia Grande, Danielle Camara Takahashi Cosentino Grandinetti, e vencedor da 1ª edição do Prêmio #Rompa e da 20ª edição do Prêmio Innovare, realizou, em Peruíbe, ação de acolhimento a mulheres em situação de rua vítimas de violência doméstica. Foram oferecidos atendimento psicológico, banho, roupas e outros itens pessoais, alimentação, limpeza de pele, massagem, maquiagem, corte e finalização de cabelo.

"A iniciativa nasceu de uma constatação muito dura: os dois últimos feminicídios registrados na comarca tiveram como vítimas mulheres em situação de rua. E, em ambos os casos, elas não haviam chegado ao sistema de proteção. Isso nos fez olhar para uma realidade que muitas vezes permanece invisível", observou Danielle Camara Takahashi Cosentino Grandinetti.

O projeto mapeou mulheres em situação de rua do município para, a partir disso, identificar as necessidades de cada uma. Além da construção de vínculos, as participantes são encaminhadas para os equipamentos que necessitem, como serviços de saúde, assistência social, tratamento para dependência química, documentação, moradia e proteção contra a violência. O acompanhamento é individualizado e respeita a vontade e o tempo de cada uma.

"Quando oferecemos segurança, alimentação, higiene, atenção, escuta, afeto e ausência de julgamento, produzimos aquilo que chamamos de 'janela emocional': um momento em que a mulher deixa, ainda que temporariamente, de estar exclusivamente voltada à sobrevivência e pode se sentir segura o suficiente para confiar, conversar, desejar algo diferente e considerar ajuda", destacou a magistrada.

Caso sejam identificadas demandas jurídicas, o projeto conta com parceria formalizada com a Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção de Peruíbe para orientação e encaminhamento.

 

Somos Marias - visa combater toda forma de violência no âmbito familiar por meio de atendimento simplificado e multidisciplinar, estabelecendo a interação multissetorial entre órgãos do Poder Executivo, Segurança Pública, Poder Judiciário e Ministério Público. Trabalha com diversas frentes para que a vítima consiga romper o ciclo da violência: assistência social, tratamento terapêutico, orientação jurídica e fiscalização de medidas protetivas. Conta com palestras, cursos, mídias sociais e elaboração de materiais gráficos para distribuição em órgãos públicos de atendimento à comunidade. Pelo programa “João de Barro”, que integra o Somos Marias, agressores são encaminhados para participar de grupos reflexivos para autores de violência doméstica, para que possam compreender suas próprias subjetividades e, de modo consciente, não reincidir.

 

Comunicação Social TJSP – BC (texto) / LF (arte) / Divulgação (fotos)

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