Tecnologia que avança, pessoas que se reinventam

Diferentes gerações e trajetórias conduzem modernização da Justiça.
 
Durante muito tempo, o ambiente forense foi associado a estantes repletas de processos, audiências em salas solenes e ao tradicional balcão de atendimento do cartório. Essa imagem quase cinematográfica ainda persiste no imaginário coletivo, mas já não corresponde à realidade de boa parte da Justiça.  
A transformação para o mundo virtual no Tribunal de Justiça de São Paulo começou, em 2006, com a implantação gradativa dos processos digitais, passou pelas experiências iniciais com o trabalho remoto e ganhou velocidade na pandemia da Covid-19, quando o Judiciário precisou caber inteiro dentro de uma tela. Audiências, sessões de julgamento, atendimento a advogados e partes e comunicações passaram a ocorrer no ambiente virtual.  
Vieram novas plataformas, outras formas de organizar as rotinas e, mais recentemente, a inteligência artificial. Mas nenhuma tecnologia se implanta sozinha. Por trás de cada novo sistema, há pessoas aprendendo novos caminhos, revendo rotinas e incorporando habilidades que não estavam previstas quando muitas delas ingressaram no Tribunal.  
Os Núcleos de Justiça 4.0 são uma das expressões mais claras dessa virtualização. Funcionam de forma totalmente digital, com atendimentos via Balcão Virtual e realização de audiências e de- mais atos sem a necessidade de comparecimento das partes. Há equipes de diferentes idades e tempos de serviço fazendo funcionar unidades da Justiça que não têm endereço físico.  
Geraldo Rodrigues Araruna ingressou no Tribunal em 1996, quando processos em papel, carimbos e deslocamentos dos autos eram a regra. Acompanhou toda a transformação digital e, 30 anos depois, aceitou o desafio de atuar no Núcleo 4.0 de Execuções Fiscais Estaduais, a partir de um processo seletivo interno. “O que motivou minha inscrição foi a oportunidade de vivenciar uma nova experiência profissional após uma trajetória de três décadas”, diz o servidor, que atua na equipe de cumprimento de sentenças. “Trabalhar em uma unidade 100% digital mostra o quanto o Tribunal evoluiu. Muitas tarefas que antes demandavam tempo e movimentação física agora são realizadas de forma rápida e segura pelo sistema. É gratificante ter vivenciado essa mudança e continuar participando ativamente desse processo de modernização.”  
A trajetória de Selma Regina Oliveira começou ainda antes, em 1985, aos 14 anos de idade, quando ingressou como menor colaboradora. Em 41 anos de TJSP, passou por diversos setores nas comarcas de Birigui, Bauru, Cafelândia e Lins, mas hoje vive seu maior desafio: a adaptação para uma rotina de trabalho 100% digital no Núcleo de Execuções Estaduais, onde atua desde julho de 2025. “No começo foi difícil, cheguei a achar que não seria capaz, mas aprendi a enfrentar os desafios e foi assim que cheguei até aqui. Sinto-me uma guerreira”, diz. Selma ressalta que o apoio de toda a equipe foi fundamental para sua integração – hoje, ela é uma das servidoras que mais se destacam em produtividade no setor. “A tecnologia está muito presente e a cada dia vai evoluir, por isso preciso me adaptar e crescer junto. Não quero mais voltar para o papel.”  
Histórias como as de Geraldo e Selma se cruzam, diariamente, com a de servidores de uma nova geração, como Adilson Gois Gomes da Silva. Ele ingressou no TJSP em 2024, aos 26 anos, no Núcleo 4.0 de Segundo Grau, onde desempenha funções que vão desde a triagem de petições à organização de sessões de julgamento telepresenciais e virtuais, outra grande marca da revolução digital da Justiça. “Confesso que, ao estudar para o concurso, estudava muitos procedimentos que me faziam imaginar um dia a dia com manipulação de processos físicos e calhamaços de papel. Quando de fato ingressei no TJ, me deparei com uma realidade diferente diante da informatização”, conta. “Trabalho em um setor onde tudo é 100% on-line, que atende advogados e partes de todos os lugares, sem necessidade de deslocamentos. Acho que isso é importante, pois torna a Justiça mais acessível a todos.”  
Geraldo, Selma e Adilson são o retrato de uma força de trabalho composta por mais de 40 mil servidores que, dia a dia, se adaptam às transformações tecnológicas e dão ao Judiciário paulista sua nova cara: uma instituição moderna, sempre atenta ao avanço digital, mas que jamais prescindirá das pessoas.

 

Tempo de Serviço

Número de Servidores

Menos de 10 anos

13.189

10 a 19 anos

10.365

20 a 29 anos

7.293

30 a 39 anos

9.149

40 anos ou mais

1.078

Total

41.074

 

Geração

Número de Servidores

Baby Boomer (1946 - 1964)

4.393

Geração X (1965 - 1980)

18.910

Geração Y (1981 - 1996)

15.601

Geração Z (1997 - 2010)

2.170

Total

41.074


N.R.: texto originalmente publicado no Dejesp de 22/7/26

 

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