Força e Representatividade Feminina no Poder Judiciário
Quando a Justiça ganha novas vozes.
O Tribunal de Justiça de São Paulo comemora o dia 8 de março de 2026 com especial satisfação. Pela primeira vez na história, mulheres integram órgãos de direção e cúpula, eleitas por seus pares para o biênio 2026/2027, em reconhecimento de suas competências e capacidades.
Para compreender o significado dessa realidade, é preciso olhar para o passado. Foi apenas em 1981 que as primeiras mulheres, Zélia Maria Antunes Alves, Iracema Mendes Garcia e Berenice Marcondes César, foram aprovadas em concurso na Magistratura paulista. Até então, por quase seis décadas, os cargos haviam sido ocupados exclusivamente por homens.
Aquela primeira geração de juízas abriu portas e inaugurou transformação que se percebe em visitas a fóruns, gabinetes, ao Tribunal, ou em audiências e sessões de julgamento, nas quais é possível testemunhar a presença de mulheres.
Em 2018, a desembargadora Cristina Zucchi foi a primeira mulher eleita para integrar o Órgão Especial, composto por 25 desembargadores, que representam os 360 do Tribunal Pleno, majoritariamente masculino.
Os números mostram que a transformação em direção à igualdade é consistente no Poder Judiciário. No primeiro grau, o número de juízas se aproxima ao de juízes. Entre servidoras e servidores, a presença feminina é majoritária. No segundo grau, a representação feminina é crescente, impulsionada pelo número de mulheres ingressantes na carreira.
Para reduzir a desigualdade de gênero, o Conselho Nacional de Justiça editou normativa e estabeleceu critérios de promoção ao segundo grau, para todo o país. A Corte paulista foi a primeira a promover desembargadora de acordo com a nova regulamentação, em cumprimento da resolução, a revelar seu firme compromisso com a transformação.
As eleições da primeira corregedora-geral da Justiça, desembargadora Silvia Rocha, e da primeira presidente de Seção, desembargadora Luciana Almeida Prado Bresciani, para a Seção de Direito Público, marcam um momento histórico para o Tribunal de Justiça de São Paulo.
Com esses resultados, inaugura-se a presença feminina em posições centrais da administração do Judiciário paulista, fortalecendo a participação das mulheres na condução do Tribunal.
Esse marco representa mais do que conquistas individuais: expressa mudanças culturais e realça a liderança feminina, assim afirmada de forma democrática em processo eleitoral que denota a maturidade institucional do TJSP.
Um tribunal que reflete, em sua composição e em sua direção, a diversidade da sociedade que julga e amplia sua capacidade de compreender realidades distintas e de produzir decisões mais justas. A igualdade de gênero na Justiça, nesse sentido, não é apenas pauta social. É expressão concreta da cidadania e da dignidade humana — princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito.
Neste 8 de março, o Tribunal de Justiça de São Paulo celebra relevante conquista, resultado de mérito, dedicação e responsabilidade institucional: um Judiciário cada vez mais plural, representativo, e mais forte.
Homens e mulheres, juntos, construindo uma instituição mais sólida e preparada para os desafios da sociedade.